O texto procura apresentar algumas respostas, ou pelo menos reflexões, quanto a três perguntas definitivas e milenares: De onde venho?, Quem sou?, Para onde vou?. E tenta fazê-lo à luz de algumas idéias básicas e teses de Catarina de Sena e da Psicanálise.
Um amigo querido, bioquímico e médico, disse-me ontem, em referência ao drama-caos que o mundo está atravessando, que, em sua percepção, o pior efeito colateral da pandemia viral é o “pandemônio virtual” que se instalou. Já uma psicóloga, educadora e psicanalista, parceira de viveres e poesias, comentou minha observação sobre humildade intelectual (humildade como oposto de orgulho e vaidade), a qual eu lhe fizera por estar vasculhando a vida de Gregório Magno1, arrematando que hoje nos são escassas a humildade em tudo e a honestidade em mais do que tudo.
“Na linguagem corrente, o termo inconsciente é utilizado como adjetivo, para designar o conjunto dos processos mentais que não são conscientemente pensados. Pode também ser empregado como substantivo, com uma conotação pejorativa, para falar de um indivíduo irresponsável ou louco, incapaz de prestar contas de seus atos.
Filosofar é a arte (o vício talvez) de fazer perguntas… Assim sendo, a motivação para esta breve reflexão que se segue parte do propósito de se aplicar a filosofia ao cotidiano.
A partir de 1343, a vasta área denominada Eurásia passou a padecer de uma pandemia, uma peste: peste bubônica, peste ou morte negra (na sua evolução causava hemorragias subcutâneas, que se tornavam escuras no momento terminal da doença, de onde resulta o nome). A bactéria Yersinia pestis (bacilo isolado apenas em 1894 pelo francês Alexandre Yersin) causa a doença, e tal agente é transmitido ao homem por pulgas (Xenopsylla cheopis) de ratos-pretos (Rattus rattus) ou de outros roedores. A penetração da bactéria na pele provocava adenite aguda, que era denominada de “bubão”, principal sintoma da doença, e disso vem a designação de peste bubônica. A morte sobrevinha entre três e sete dias após o contágio, acometendo de 75 a 100% dos contaminados.
Sacrifício de Isaac (por Abraão), Rembrandt, 1635, óleo sobre tela, Museu Hermitage, São Petersburgo
Kierkegaard, os três estádios e o desespero
Em artigo anterior1 procuramos ressaltar os três estádios do desenvolvimento humano, na visão de Kierkegaard, e a maneira como tal reflexão filosófica não se opõe à religiosidade, mas, pelo contrário, enseja a passagem do ser humano ao terceiro dos níveis, o mais aprimorado, que é justamente o da religiosidade. Todavia, para isso, é imprescindível uma ação determinada de vontade em cada um que pretenda percorrer esse caminho. Uma vontade hospedada no “eu” e por ele ativada.
No recente 9 de setembro, Marco Focchi lançou um texto em seu blog, que, oportunamente ao artigo Tecnologias de produção do eu que antes publiquei (https://tempoanalise.com.br/tecnologias-de-producao-do-eu-consideracoes-primeiras/), traz a importante discussão a respeito de se saber o que é o sujeito para a Psiquiatria (e, nas entrelinhas, o que é para a Psicanálise atual). Pelo valor e profundidade de tal curto texto, e sua conexão com minhas preocupações – e, ainda, recorrendo aos longínquos tempos de meu curso de italiano no Instituto Cultural Ítalo-brasileiro (Casa di Dante), ousei traduzi-lo aqui, com todo assumido risco de haver cometido erros grosseiros.
A principal tarefa na vida de um homem é a de dar nascimento a si próprio.
Erich Fromm (Análise do homem.)
Conhece-te a ti mesmo.
Nada em excesso.
É.
Pergunto: as três frases acima expressam sugestões? Lemas? Imperativos? E com qual propósito? Quem as disse? Quando? Quais os autores? Tanto quanto pode ser lacônico o exato conteúdo que cada uma carrega, suas histórias, autorias, interpretações o são igualmente.